Quando eu tinha doze anos (há bem mais de doze anos), meu irmão começou a namorar a Rosa. Isso durou até 1999, quando eu já era um estudante faminto morando num prédio sujo da João Pessoa. Eles terminaram o namoro e em menos de um ano os dois já tinham casados com outras pessoas e, até onde eu sei, nunca mais se falaram.
Mas como eu tinha praticamente crescido com a figura, ela foi promovida a irmã-por-merecimento e passou a ser o meu pouso oficial em Sampa.
Tá, e daí?
Daí que a mãe da Rosa é cozinheira (além de ex-delegada da Polícia Federal), o pai da Rosa é cozinheiro (além de cantor de jazz e música tradicionalista), o padrasto da Rosa é cozinheiro (além de dublador de filmes e voz oficial do canal da Sony) e a Rosa é cozinheira profissional. Já foi professora de culinária e chef em alguns restaurantes, incluindo um francês em Sampa, antes de largar tudo pra ir fazer iluminação e cenografia no teatro. E me ensinou que filé ao molho gorgonzola é um dos pratos mais ridículos de se fazer do mundo. Então vamos ao que interessa.
Esta receita é literalmente a dela, mas eu acrescentei alguns comentários meus:
- meio quilo de filé mignon, fatiado para bife
- 200g de gorgonzola
[Na verdade eu uso umas 350g de gorgonzola, ou um pacote TPZ*]
- duas caixinhas de creme de leite, das pequenas
- caldo de legumes
[Essa é a parte mais chata: eu nunca entendi que caldo é esse. Segundo a Rosa, é um caldo que vem em envelopes (mas não a sopa) pra ser preparado com água e sem sal. Ou eu não entendi muito bem ou o Zaffari não vende, mas tem um da Sazon, que vem numa caixinha cheia de envelopes, que funciona, mesmo sendo um pouco salgado. Quando eu for a Sampa de novo vou pedir pra ela me mostrar que diabos de caldo é esse]
- sal e pimenta branca
[Na falta de pimenta branca, só sal]
Modo de preparo:
Antes de mais nada, façam o caldo de legumes, mas fraquinho. Tipo, se a receita da caixa diz “um envelope para meio litro d’água”, usem meio envelope para meio litro d’água. Nem vale dobrar a água porque a maioria desse caldo vai fora. Se for muito salgado, façam ainda mais aguado. A idéia é que ele não tenha gosto de nada.
Façam uma redução do creme de leite.
[Eu: “Rosa, que diabos é redução?” Rosa: “Deixa ferver até que tenha menos creme de leite que no começo. Uns dois terços. Vai ficar mais consistente” Eu: “Ahhhn... ok”]
Acrescentem o queijo gorgonzola, mexam até derreter e deixem ferver até ficar mais cremoso. Vai cheirar bem. Mas também vai talhar.
Daí entra o pulo do gato: misturem um pouco (bem pouco mesmo) do caldo de legumes. Isso vai desfazer o “talho” (tá, sei lá) e deixar o molho mais uniforme. Na dúvida, coloquem bem pouquinho e, se não funcionar, mais um pouco, até dar certo. Mas o caldo não pdoe deixar gosto no molho.
[Na prática, eu sempre fico com medo de encher desse caldo e estragar o molho, então os meus sempre ficam um pouco talhados no fim. Mas o bom desse molho é que dá pra errar à vontade e ele pode até não ficar tão bonito, mas sempre fica sensacional.]
Temperem os bifes com o sal e a pimenta branca, sem exagero, e fritem como preferirem. Eu sempre faço mal passado. Derramem o molho sobre os bifes no próprio prato, na hora de servir.
Pronto. Pra comer com batata palha, vinho e companhia.
* TPZ - Tamanhão padrão do Zaffari
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sexta-feira, 25 de abril de 2008
segunda-feira, 24 de março de 2008
carne com cerveja RELOADED
assim ó.
daquela feita que meu pai comentou minha carne com cerveja dizendo "percebi que o bacon não estava milimetricamente fatiado", combinamos que na minha ida seguinte ao seu lar ele faria a carne pra eu poder acompanhar o processo.
foi o que rolou neste sábado à noite.
cá está o segredo dele pra ter bacon milimetricamente fatiado. diz ele que a grossura fica entre 1,2mm e 1,3mm. este é o meu pai =)
fora isso, estou RELOADING totalmente a receita, conforme ele fez e diz que é a original:
tipo 1kg de filé mignon
2 tubos de mostarda daqueles do tamanho corriqueiro - eu diria q dá uns 500g
2 caixas deste bacon aí
umas pitadas de sal
1 cerveja preta pequena
1 cerveja branca (?) pequena
ele pegou o filé e colocou dobrado tipo um V pra caber no seu PIREX oval santa marina, mas estendam conforme couber nos seus pirexes.
tapou todo o filé com a mostarda, fica uma super camada, não hesitem nem esparramem pra fora da carne. aqui vêm umas pitadas de sal, pq segundo ele "hoje em dia" o bacon não é mais tão salgado.
após, tapou toda a mostarda com as fatias de bacon. ressaltou a importância de não deixar mostarda à mostra nesta etapa, pra tudo não desandar na hora de regar.
aí veio a hora da cerveja, totalmente diferente da receita postada por mim antes: ele já jogou as duas cervejas inteiras ali no prato nesta hora. diz ele que a tradição manda fazer jorrarem as duas ao mesmo tempo, uma de cada lado e tal, aquela coisa teatral, mas ele colocou uma de cada vez. mirando a VAZÃO no prato e não na carne, pra não destruir tudo.
e aí, forno a mil.
perguntei a temperatura e ele disse que não sabia.
- mas vê ali no botão do fogão o numerinho
-AHHAHAHAHAHAHAHAHAH e tu acredita nisso??
claro q não acredito mas tenho uma esperança de que todos os fogões sejam desregulados parecidamente... enfim, o numerinho dizia 260-280 graus celsius. mas meu pai disse que é "fogo alto" até as bordinhas do bacon começarem a virar. isso levou 30 minutos pra acontecer, aí ele baixou o fogo e começou a regar o filé cuidadosamente (pra não derrubar os bacons) com a cerveja a cada 15 minutos.
depois de um tempo, tudo começa a se desmanchar mesmo, o bacon cai e tal. mas nessa hora tu não pode mais enxergar mostarda embaixo dele, senão - diz meu pai - é sinal de que desandou tudo e o gosto não vai ser o mesmo.
depois de mais ou menos 2h30 de forno, cervejas + mostarda + sucos da carne devidamente transformados pelo tempo num caldo grosso, ele serviu. fantástico! mas tenho certeza que outras carnes se prestariam até melhor do que o filé.
no fim sobrou muito pouco da carne, éramos 7 + minha sobrinha e tinha vários acompanhamentinhos, mas nada embuchante... tipo se for só a carne e um carboidrato tipo arroz ou batata, acho que esse tanto dá pra 5 ou 6 pessoas.
sucesso!
daquela feita que meu pai comentou minha carne com cerveja dizendo "percebi que o bacon não estava milimetricamente fatiado", combinamos que na minha ida seguinte ao seu lar ele faria a carne pra eu poder acompanhar o processo.
foi o que rolou neste sábado à noite.
cá está o segredo dele pra ter bacon milimetricamente fatiado. diz ele que a grossura fica entre 1,2mm e 1,3mm. este é o meu pai =)
fora isso, estou RELOADING totalmente a receita, conforme ele fez e diz que é a original:
tipo 1kg de filé mignon
2 tubos de mostarda daqueles do tamanho corriqueiro - eu diria q dá uns 500g
2 caixas deste bacon aí
umas pitadas de sal
1 cerveja preta pequena
1 cerveja branca (?) pequena
ele pegou o filé e colocou dobrado tipo um V pra caber no seu PIREX oval santa marina, mas estendam conforme couber nos seus pirexes.
tapou todo o filé com a mostarda, fica uma super camada, não hesitem nem esparramem pra fora da carne. aqui vêm umas pitadas de sal, pq segundo ele "hoje em dia" o bacon não é mais tão salgado.
após, tapou toda a mostarda com as fatias de bacon. ressaltou a importância de não deixar mostarda à mostra nesta etapa, pra tudo não desandar na hora de regar.
aí veio a hora da cerveja, totalmente diferente da receita postada por mim antes: ele já jogou as duas cervejas inteiras ali no prato nesta hora. diz ele que a tradição manda fazer jorrarem as duas ao mesmo tempo, uma de cada lado e tal, aquela coisa teatral, mas ele colocou uma de cada vez. mirando a VAZÃO no prato e não na carne, pra não destruir tudo.
e aí, forno a mil.
perguntei a temperatura e ele disse que não sabia.
- mas vê ali no botão do fogão o numerinho
-AHHAHAHAHAHAHAHAHAH e tu acredita nisso??
claro q não acredito mas tenho uma esperança de que todos os fogões sejam desregulados parecidamente... enfim, o numerinho dizia 260-280 graus celsius. mas meu pai disse que é "fogo alto" até as bordinhas do bacon começarem a virar. isso levou 30 minutos pra acontecer, aí ele baixou o fogo e começou a regar o filé cuidadosamente (pra não derrubar os bacons) com a cerveja a cada 15 minutos.
depois de um tempo, tudo começa a se desmanchar mesmo, o bacon cai e tal. mas nessa hora tu não pode mais enxergar mostarda embaixo dele, senão - diz meu pai - é sinal de que desandou tudo e o gosto não vai ser o mesmo.
depois de mais ou menos 2h30 de forno, cervejas + mostarda + sucos da carne devidamente transformados pelo tempo num caldo grosso, ele serviu. fantástico! mas tenho certeza que outras carnes se prestariam até melhor do que o filé.
no fim sobrou muito pouco da carne, éramos 7 + minha sobrinha e tinha vários acompanhamentinhos, mas nada embuchante... tipo se for só a carne e um carboidrato tipo arroz ou batata, acho que esse tanto dá pra 5 ou 6 pessoas.
sucesso!
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
Que lapso!
Gente do céu. Consegui esquecer a informação mais importante da história da "família gourmet" (expressão criada pela tia chef, ao justificar o seu interesse pela cozinha)... Até pensei em atualizar aquele post, mas isso não seria o suficiente. Minha irmã Ofélia, digo, Amélia, digo, Letícia foi quem contribuiu: "Esqueceu da afilhada, que aos três anos, é a única da turma da "escola" que sabe o que colocar numa sopa!!" Três anos, pessoas! Ela tem TRÊS anos e foi a única pitôca que soube dizer para a professora que uma sopa levava "beans"... Quem vê até pensa que é uma grande comilona... Pfff... Gracias, Lê! Estou esperando as tuas contribuições. ;-)
Update: Fui procurar fotos da Luísa com as panelas, mas acho que ela se negou a posar para mim. Para não perder a viagem, aproveito e publico uma foto da Letícia e acrescento uma observação: percebam que o peru era maior do que ela! Percebam (2) que ela é CHIQUE e tem aqueles fogões com tampo de vidro, sem bocas, ferros e toda aquela tralha infernal de desengordurar/lavar. É outro nível.

Update: Fui procurar fotos da Luísa com as panelas, mas acho que ela se negou a posar para mim. Para não perder a viagem, aproveito e publico uma foto da Letícia e acrescento uma observação: percebam que o peru era maior do que ela! Percebam (2) que ela é CHIQUE e tem aqueles fogões com tampo de vidro, sem bocas, ferros e toda aquela tralha infernal de desengordurar/lavar. É outro nível.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Quase uma questão de honra
Meus queridos ajudantes
Acho que cabe aqui um pequeno histórico. Abrirei meu coração e deixarei expostos todos os meus traumas e frustrações culinários (culinários? culinárias? Cecília, ajuda aí!).
Sou a caçula de uma família que prima pela excelência gastronômica. Filha de uma mãe que jura que até os 40 anos não sabia nem fazer arroz (o que me leva a crer que eu ter aprendido aos VINTE E POUCOS já foi grande progresso), mas soube compensar por todas estas décadas de distância das panelas. Sou também filha de um pai que obrigou seus três filhos (e amigos dos filhos, e filhos dos amigos, e sobrinhos, afilhados, animais de estimação...) a não só comerem, mas também *gostarem* de salada. Um senhor que jamais se satisfazia com refeições banais e garantia que pelo menos uma montanhinha de arroz feita com uma xícara de café se apresentaria no prato daquela janta informal-e-de-qualquer-jeito do domingo à noite. Era dele a coleção de livros de culinária que eu adorava pegar para ver as ilustrações do dourado, namorado, cação...
Não bastassem os pais, ainda tenho uma irmã que já fazia bolos antes que eu soubesse pronunciar meu nome e hoje não teme nada: faz pães, massas, polentas, nhoques, peru de oito quilos e qualquer outra coisa. O único fracasso de que se tem registro foi uma maionese que desandou (mas isso só ocorreu porque ela estava grávida... era óbvio que não daria certo). Pensam que essa história se estanca por aqui??? Não. Ainda tem o irmão (aquele que é churrasqueiro, sushi-man e manda bem em qualquer coisa que estiver disposto a fazer porque, como os outros, nasceu com o dom que a família compartilha). E por último é importante citar a tia que é chef de um restaurante tailandês...
Com todos estes talentos na família, eu não POSSO mais continuar remando no espaguete com molho branco, espaguete com molho vermelho, espaguete ao pesto... Por isso: me ajudem. É um apelo.
Acho que cabe aqui um pequeno histórico. Abrirei meu coração e deixarei expostos todos os meus traumas e frustrações culinários (culinários? culinárias? Cecília, ajuda aí!).
Sou a caçula de uma família que prima pela excelência gastronômica. Filha de uma mãe que jura que até os 40 anos não sabia nem fazer arroz (o que me leva a crer que eu ter aprendido aos VINTE E POUCOS já foi grande progresso), mas soube compensar por todas estas décadas de distância das panelas. Sou também filha de um pai que obrigou seus três filhos (e amigos dos filhos, e filhos dos amigos, e sobrinhos, afilhados, animais de estimação...) a não só comerem, mas também *gostarem* de salada. Um senhor que jamais se satisfazia com refeições banais e garantia que pelo menos uma montanhinha de arroz feita com uma xícara de café se apresentaria no prato daquela janta informal-e-de-qualquer-jeito do domingo à noite. Era dele a coleção de livros de culinária que eu adorava pegar para ver as ilustrações do dourado, namorado, cação...
Não bastassem os pais, ainda tenho uma irmã que já fazia bolos antes que eu soubesse pronunciar meu nome e hoje não teme nada: faz pães, massas, polentas, nhoques, peru de oito quilos e qualquer outra coisa. O único fracasso de que se tem registro foi uma maionese que desandou (mas isso só ocorreu porque ela estava grávida... era óbvio que não daria certo). Pensam que essa história se estanca por aqui??? Não. Ainda tem o irmão (aquele que é churrasqueiro, sushi-man e manda bem em qualquer coisa que estiver disposto a fazer porque, como os outros, nasceu com o dom que a família compartilha). E por último é importante citar a tia que é chef de um restaurante tailandês...
Com todos estes talentos na família, eu não POSSO mais continuar remando no espaguete com molho branco, espaguete com molho vermelho, espaguete ao pesto... Por isso: me ajudem. É um apelo.
Assim não dá pra casar!
É isso aí, povo. Vamos ajudar a Anita com receitas, dicas, links, listas de compras, fotografias...
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